Por Milton Cruz (Sociólogo), Claire Abreu (Farmacêutica) e Laís Borges (Bibliotecária) – UFRGS

Dizem que o adulto é o resultado da soma de suas vivências. Na década de 70, tivemos a oportunidade única de habitar o universo plural da Ceurgs e da Ceuaca, onde o aprendizado ia muito além da sala de aula. Ali, fomos desafiados a trocar a segurança do ninho pela ‘gramática da convivência’, descobrindo na prática o peso da responsabilidade individual e a força vital do apoio mútuo. O que nasceu da necessidade de sobrevivência floresceu em uma visão de mundo crítica e em amizades eternas, que atravessam décadas. Essa experiência não foi uma rotina passageira, mas a construção de um destino comum e um legado para os que virão. É a bagagem essencial, preenchida com lições de alteridade e coragem, que ainda carregamos com orgulho e deixamos como trilha para os novos estudantes.”

Ontem, sob um lindo sol de sábado, vivemos um desses momentos em que o tempo parece se dobrar sobre si mesmo. Eu, vindo da experiência na CEUACA, acompanhado da Claire e da Laís, egressas da CEURGS dos anos 70 e 80, voltamos à Casa do Estudante da UFRGS para acolher os novos moradores.

Mais do que uma visita, foi um exercício de intergeracionalidade. Provocados pela pergunta sobre qual arquitetura social conecta passado, presente e futuro, buscamos na troca o impacto mútuo entre nossas trajetórias. Em uma roda de conversa pulsante, compartilhamos nosso testemunho como estudantes de baixa renda que venceram as barreiras de uma época de exceção e de um modelo de desenvolvimento excludente.

Nossa surpresa foi grata: encontramos uma casa preservada, com infraestrutura sólida e, acima de tudo, um grupo de jovens organizados. Ver a autogestão viva em departamentos de limpeza, cultura e mediação de conflitos nos confirmou que o espírito coletivo permanece vivo. Reforçamos a eles que dividir um quarto ou uma cozinha com dezenas de pessoas não é apenas uma necessidade logística, mas a base de amizades que, como as nossas, resistem há 50 anos. Esse aprendizado coletivo foi o que nos qualificou para a vida profissional, ensinando-nos a escuta, o respeito à diferença e a busca pelo consenso na diversidade.

Encerramos o dia com a certeza de que o diálogo apenas começou. Seguimos à disposição para novas rodas, trocando ideias sobre as inquietações que movem os estudantes de hoje.

One thought on “O Fio que Une Gerações: Um Sábado de Memória e Futuro na CEUFRGS”
  1. Parabéns pela atividade.
    Troca de experiências e oferecer suporte aos mais jovens é de extrema necessidade.
    Gratidão por compartilhar
    Abc

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