No Mar Mediterrâneo há duas grandes ilhas que são bem conhecidas e têm elementos comuns: Córsega, pertencente à França e Sardenha, parte da Itália.

Córsega se aproxima dos padrões de “Zonas Azuis” de longevidade, frequentemente comparada à vizinha Sardenha.

Já a Sardenha é uma das “Zonas Azuis” do mundo, com uma expectativa de vida excepcionalmente alta. A ilha possui uma das maiores concentrações de centenários do mundo, três vezes superior à média mundial.

Bem distante dali, há a Ilha da Okinawa, no Japão.

Okinawa é outra das “Zonas Azuis”, com uma das maiores taxas de centenários do mundo, atribuída a uma dieta rica em nutrientes e estilo de vida relaxado. 

Outra das cinco áreas azuis do mundo está bem distante destes locais é a Península de Nicoya, na costa pacífica da Costa Rica. Diz-se que a região combina um estilo de vida ativo e comunitário, alimentação natural baseada em grãos e vegetais, e um forte sentido de propósito. É mais ou menos o que se fala dos outros locais, tidos como “Áreas Azuis”.

Icária (Grécia) fica até bem perto da Sardenha, comparando-se com os outros locais mencionados.

É uma ilha no Mar Egeu, cujos habitantes frequentemente passam dos 90 anos. Ao lermos sobre o local se fala de seu estilo de vida sem pressa, dieta mediterrânea, terreno montanhoso que incentiva atividades físicas e forte vida comunitária.

Loma Linda, na Califórnia (EUA) é a quinta das “Zonais Azuis”.

Diz-se que ali a dieta é rica em frutas, verduras, nozes e grãos integrais, com baixo consumo de carne.

A ILHA DOS ANCIÃOS

Ben  Hills, australiano, em seu livro “A Ilha dos Anciãos” – Os segredos dos centenários da Sardenha” – nos traz as histórias marcantes de mais de duas dezenas de centenários e de outros longevos, além de estudos sobre longevidade feitos com estes e noutros locais.

O livro é de 2008, editado no Brasil pelo Prumo, no mesmo ano. Ou seja, lá se vão 18 anos.

“A kent’anoss” – saudação sarda: “que você viva cem anos”. E eles vivem mesmo e até mais. Em geral, para os nossos padrões, “bem”.

Segundo o autor há uma discussão muito ampla sobre a transmissão dos genes de longevidade. Chegamos ao final do livro e com os dados expostos em pesquisas ainda sem saber ao certo qual o papel dos genes.

Hills apresenta casos de centenários que são únicos, não há casos familiares de longevos.

Homens vivem até mais que as mulheres, em contradição com as regras gerais.

Apenas duas famílias têm vários longevos entre eles.

Quase sem exceções, todos os centenários tiveram uma vida muito difícil, dura, muitos casos de fome ou dieta calórica precária e insuficiente.

Mesmo sendo uma ilha do Mediterrâneo, a tal de “dieta mediterrânea” não está no seu cardápio em geral. Os centenários não eram muito afeitos ao consumo de peixes, mas todos tinham uma dieta secular de pouca carne, sendo que em geral com carnes de ovelhas e porcos. Todos parecem apreciar estas.

Poucas saladas, mas muitas coisas da terra, localistas, de pequenas plantações, sem uso de venenos, nada de enlatados ou produtos processados.

Na maior parte das vezes são pessoas de pouca estatura, bastante magros, tendo umas duas ou três exceções, contradizendo totalmente o que seria “uma vida saudável” em termos de cuidados alimentares.

As localidades onde vivem estão livres de poluições de quaisquer tipos, em geral vivem em locais bem isolados, muitos com difícil acesso em montanhas e terras até inóspitas.

E o vinho? É uma pergunta que todos se fazem. A maior parte deles toma vinho com parcimônia, tanto homens como mulheres, sendo que alguns deles destacam a bebida como algo muito apreciado. Mas há aqueles centenários que nunca o beberam. O vinho é um tipo local, artesanal, forte, sem aditivos.

O pão é tosco, produto local, feito sempre de forma igual, uma tradição que caminha com os sardos.

Apreciam a família e esta sempre tem alguém que os cuida, muitos e muitos casos em que filhas não casam, vivem com os pais, cuidam dos centenários, como um “destino”. Também são crentes, católicos, dando crédito ao destino e a Deus que vivam tanto. E sobre a morte falam: quando Deus quiser!

É bom notar que os que podiam caminhar e sair iam à Igreja e aos botecos, para uma convivência social.

Vida simples, sem luxos, sem maiores preocupações são os elementos mais marcantes das histórias pessoais relatados no livro.

Não é fortuito que o autor fale em “os segredos dos centenários da Sardenha”, pois parece que não se descobriu com algum nível de convicção científica as razões de tal longevidade.

Até porque há casos de fumantes, poucos, exceções na verdade. A maior parte nunca fumou.

Mesmo faltando um estudo das outras chamadas “Zonais Azuis”, do que se lê há elementos comuns. Entre eles o senso de comunidade e pertencimento ao local, vida não agitada, comida saudável. Mas mesmo assim nada se pode afirmar com alto grau de taxatividade.

Nossos grupos que chamamos de Metamorfose da vida – www.coletivometamorfosedavida.com.br – e a Associação Movimento Sociedade sem Idadismo – www.idadismo.net – continuam tentando ampliar as relações para mais pessoas interessadas no tema e nos estudos do tema.

Estão à venda nossos livros físicos – www.poavista.com.br –  para que possamos chegar a mais e mais pessoas.

Agora também temos para o mundo nosso Manual na Internet               https://www.instagram.com/p/DXXAleljutO/?igsh=MWFxM3R3ZWc4dnN6eg

Abrindo, com este texto, mais uma janela do debate sobre a Pessoa Idosa.

Adeli Sell é professor, bacharel em Direito.

By Adeli Sell

Adeli Sell é professor, escritor, bacharel em Direito, vereador em Porto Alegre.

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