Uma história para ficar na História
Concebi o Movimento Sociedade Sem Idadismo durante as traumatizantes enchentes de maio de 2024 que, na verdade, tiveram consequências por um período bem maior. Até os dias de hoje, diga-se de passagem.
Na ocasião, ao perceber, pela experiência direta, que havia um total descaso com os idosos e idosas, por parte não apenas do poder público, mas da minha própria parte, ao não perceber que já tinha a carimbo de “velho” na testa, resolvi escrever uma crônica sobre essa situação.
Pela graça de uma amiga, Elenara Stein Leitão, uma Arquiteta à época já envolvida com as questões do envelhecimento e com a publicação do livro “Metamorfose da Vida”, fui convidado a participar, com a minha crônica, no livro “Perdi Tudo. E Agora?”, que tratava das experiências de vários autores sobre os traumas da enchente.
A descoberta me fez estudar um assunto até então desconhecido para mim: a velhice. E descobri, pasmo, que esse tema já era objeto de aplicação da ONU, quando declarou a década de 20-30 como a década do “Envelhecimento Saudável”, exortando a Organização Mundial da Saúde e suas regionais – no nosso caso a “OPAS – Organização Interamericana de Saúde” a desenvolver programas voltados para a questão.
A OPAS desenvolveu um relatório, chamado “Relatório Mundial Sobre o Idadismo”, onde desenvolve o conceito de “idadismo” e as formas de combate a esse que, com certeza em uma sociedade cada vez mais envelhecida, tem sido a mais praticada e a mais ignorada das discriminações da nossa sociedade.
No relatório, a OPAS faz três recomendações de ações para o combate/redução do idadismo. E a terceira é “Construir um movimento para mudar o discurso em torno da idade e do envelhecimento”.
Diz o relatório: “Todos nós temos um papel a desempenhar no desafio e na eliminação do idadismo. Governos, organizações da sociedade civil, agências da ONU, organizações para o desenvolvimento, instituições acadêmicas e de pesquisa, empresas e pessoas de todas as idades podem se juntar ao movimento para reduzir o idadismo. Se unindo uns aos outros como uma ampla coalização, podemos melhorar a colaboração e a comunicação entre as diferentes partes envolvidas no combate ao idadismo”.
Da leitura veio a percepção de que o que nos faltava é exatamente isso, um movimento que lute contra o idadismo e busque mudar o discurso prevalente na sociedade. Mais, um movimento que congregue as múltiplas ações realizadas por outros entes, mas todas ainda isoladas.
Imediatamente surgiu o nome: Movimento Sociedade Sem Idadismo. Surgiram, também, os conceitos, a forma e as ações que deveriam ser realizadas. Mas ideias, se não colocadas em prática, são como “nuvens passageiras, que com o vento se vão”, no dizer da canção de Hermes Aquino.
Em um encontro sobre o livro a ser publicado, com A Elenara e o Adeli Sell, professor e escritor, à época exercendo a vereança em Porto Alegre, tive a oportunidade de explanar o que havia pensado e criado. Para minha real surpresa – afinal, até então eu era um “ilustre mais um em meio a tantos” – ambos abraçaram a ideia e decidiram ajudar a dar vida ao movimento.
Uma andorinha só não faz verão.
Com a inestimável e ativa participação da Elenara e do Adeli, andorinhas que alçaram voo comigo, o que era uma ideia transformou-se em realidade. Juntaram-se a nós a Claire Abreu e a Grace Gomes, parceiras até hoje incansáveis.
Criei o site idadismo.net, o Instagram @idadismo, a página no Facebook @SociedadeSemIdadismo e o canal do YouTube @MSI_SociedadeSemIdadismo.
Fizemos alguns encontros onde pude apresentar o movimento para diversas pessoas. Até que a coisa toda tomou corpo, pelo apoio recebido, e decidimos fazer o lançamento “oficial”.
Dia 24 de agosto de 2024. Chalé da Praça XV em Porto Alegre, criado, oficialmente, o MSI:


Hoje somos uma associação, a Associação Movimento Sociedade Sem Idadismo – AMSI, instituída para operacionalizar os projetos e ações do MSI. E já estamos expandindo os horizontes para além do Mampituba: está em formação o NÚCLEO PERNAMBUCO do MSI.
O que foi uma semente plantada há um ano, tornou-se um ainda pequeno broto, mas que com o passar dos anos haverá de se tornar frondosa floresta!
